
A mulher não é apenas um corpo,
muito menos um objeto.
Ela precisa (e muito) de cuidados,
proteção, respeito e amor.
A mulher que a tudo atura,
forte, dona de si
está cansada de correr risco
na pandemia de violência doméstica,
onde o medo da agressão impera.
A mulher auxiliadora cumpre sua missão,
mas não pode ser submissa
diante da sobrecarga de funções:
das obrigações com filhos,
divisão sexual do trabalho,
esforço físico e mental,
agenda lotada de atividades.
Como não enlouquecer?
A mulher invisível vê o que ninguém vê.
Ela quer apenas ser enxergada com outros olhos;
olhos que queiram ver o seu real valor.
Publicado na Revista Barbante 113, Natal - RN, (7 set./2025).
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Pequenas peças
divididas num azul-marinho
contraste de branco polar
cobrindo um corpo
que a nudez
aos olhos proibidos
numa pose informal
graciosa.
Em que praia estaria a criatura
sensibilizando a passarela de areia
e muitas máquinas fotográficas humanas?
Quisera meus olhos saber
ao roubar-te de um álbum qualquer...
E o bronzeado da pele
sobre os efeitos da queimadura do sol
fazia-lhe mais bonita
e levei você embora comigo
sonhando um dia
revelar-te no escuro,
mas tão clara ficou a fotografia
sob o aspecto de um fundo cor-de-rosa.
Publicado no livro Poeira de estrelas e sonhos, Ed. Scortecci, SP, 2011.

