Trágicas cores


Bernardo Santos


 

As árvores dançam no tapete de concreto

com a música assoviada pelo vento.

Ritmo rude, ardente,

sonoplastia de buzinas,

efeitos de fumaça,

roncos de escapamento.

Alguns bailam em motocicletas;

couros pretos, capacetes sangrentos.

As ruas se transformam em passarelas,

carros desfilam por elas

e deslizam com seus pés de borracha

abraçando-se em latarias num grande encontro.

Sirenes disparam, pisca-pisca de luzes.

Branco e vermelho se misturam

em portas de prontos-socorros.

Share by: