Vida familiar

                                                 Bernardo santos

 

     Embora a felicidade na família seja algo que muitos desejam, os problemas familiares estão aumentando em toda a parte; algumas famílias gozam de uma vida feliz em comum, outras não, e em geral, torna-se difícil compartilhar deste fruto, pois ao mesmo tempo que casais vivem juntos, acham-se separados devido aos arranjos da vida, que acabam por refletirem a desintegração como um pano que se rompe nas costuras. O casamento, que se constitui na união de dois seres é um compromisso que deve ser estudado em todos os detalhes antes de ser assumido para evitar os dolorosos desajustes que ele proporcionará com a sua evolução.

     Muitos creem que o casamento tenha origem humana, que de algum modo foi inventado no passado distante pelos homens. Esta ideia é a própria raiz do desastroso colapso familiar atual, que cria a separação, o divórcio e em outros casos, até o chamado adultério. Os principais problemas surgem comumente no sexo; devido ao irrealismo dos conceitos  patrocinados pela mídia, livros, revistas e filmes, mostrando que basta apenas se apaixonar, curtir e viver feliz para sempre. As publicações também sublinham os prazeres sexuais, amiúde, suscitando expectativas muito além da realidade. Na verdade, o prazer das relações sexuais depende principalmente da mente e do coração.

     Por outro lado, quando o homem deixa de assumir suas responsabilidades familiares, a mulher se sente frustrada e diz que o marido esqueceu-se completamente de suas obrigações e uma competição de agressividade tornam comum entre os dois. As conversas exaltam-se e cada qual cria sua independência para resolver as suas dificuldades.

     No entanto, em muitas famílias, hoje, os maiores problemas são com os filhos, que precisam muito mais do que conversa. Eles precisam de orientações definidas para ajudá-los a ajustar-se aos requisitos de uma disciplina administrada com amor, e neste caso, os pais carecem dar bons exemplos para que os filhos inclinem-se mais a sugerir aquilo que fazem do que dizem e, quando há discrepância entre as duas coisas, logo se descobre. às vezes prover a disciplina necessária chega a ser laborioso. Muitos filhos andam por caminhos tortuosos e buscam prazeres desumanos, enquadrando-se em uma vida desonesta, adquirindo vícios de bebidas, drogas, perversidade; menosprezando a si mesmo através de prostituição, relaxando a moral com brutalidades e violências; desprezando os pais e passando a indesejá-los como pessoas, ou seja, como elementos de sua constituição.

     O pai, a mãe, os filhos e os parentes próximos e até mesmo distantes regem a intimidade da palavra família e esta em sua definição é um grupo de pessoas que se ramificam e formam a sociedade; portanto, se não há famílias, não há socialismo. O mundo vem assimilando que nos últimos anos o sistema de vida chega asfixiar os menos avisados e despreparados. A vida é como uma enorme máquina de concretagem, onde sentimentos, conceitos, aspirações e sonhos, direitos e deveres estão sendo substituídos pelo cimento, a cal, a areia e a água; porém, no final, o resultado é sempre igual: Uma massa homogênea elástica, semicompacta, que ao romper-se provoca destruição avassaladora.

     Assim, as famílias estão se desarticulando na poluição de promessas e mentiras; sentindo na pele  os  grilhões do desamor,   degenerando-se  em decadência,  não  se  entendendo mais.  O amor  conjugal,   o carinho,     a amizade estão sendo esquecidos gradativamente, e sobreviver em meio  a conflitos egoístas já é quase impossível.

     Se a humanidade não deixar de se odiar, não eliminar a inveja e a cobiça, um pouco do materialismo e acima de tudo não abrir os olhos; o amor tornar-se-á em curto espaço de tempo num negócio difícil de ser refeito, numa construção impossível, pois não terá concreto para sustentar os alicerces e solidificar a base da família.

 

(Este texto é parte integrante do Livro O Míssil Humano inédito).



  Viver é necessário

 Bernardo Santos

 

     O Sol brilha e a luz é a plena alegria de viver. Os jovens  procurem  os mais  perigosos  meios   de divertimentos e pensam que estão fazendo as mais belas e engenhosas coisas e assim criam um mundo de loucuras em suas mentes. O carrão a duzentos quilômetros por hora, a torcida pelo futebol no fim de semana, que na maioria das vezes acaba em brigas, braços quebrados e corpos ensanguentados, e para muitos não adianta o socorro, pois acabam por entrarem na escuridão.

     Nada melhor que se divertir, “curtir numa boa”, mas a vida não é brincadeira; ela depende de consumo de energia que é a força do trabalho e a capacidade do saber; o estudo, importante meio para a renovação de ideias e aperfeiçoamento de talentos do homem, para que ele possa buscar uma vida melhor.

     Há os querem modificar a vida, invadir o espaço alheio, o campo. Os que têm prazer em acabar com a mata, poluir as águas, mas se esquecem que estão destruindo a sua própria recreação, sua natureza, seu lar. Quanta beleza tem em nosso planeta e porque não preserva-las?  Aqueles que não querem nada com o nada são os principais acarretadores de distúrbios da vida. Vândalos, baderneiros, bandidos; a famosa gente à toa. Não querem viver com dignidade e proíbem de viver os que querem.

 


                                     Viver em sociedade

 Bernardo Santos

           

     Praticamente, desde que se abrem os olhos neste mundo, o ser humano começa a demonstrar que a socialização é uma das exigências mais fortes da natureza.

     Desde o sorriso do bebê, ao perceber o rosto dos pais, talvez seja a primeira manifestação do impulso gregário que o levará mais tarde a ultrapassar o “Eu” para encontrar-se com o “Outro”.

     As fases mais importantes do processo de inserção social, entretanto, são a adolescência e a juventude, pois nelas, quase tudo é feito em “Turmas”: trabalhos escolares, entretenimentos, movimentos, passeios, etc.

     São esses sucessivos ensaios que tornam o homem um ser sociável, interessado em conhecer os problemas de seus semelhantes e capaz de oferecer sua cooperação em prol do bem comum.

     Conhecer a si próprio e aos outros é um processo de amadurecimento do homem; pois mediante a união social é que se completa o asseguramento do bem estar e do progresso. Por isso é que precisamos uns dos outros.

     Os homens foram feitos para viverem em sociedade.



Vide videogame

Bernardo Santos

 

     Seremos acaso uns autômatos cuja complexidade de reações nos faz acreditar num ilusório livre-arbítrio?

     Vivemos num mundo onde a filosofia é apertar botões, digitar senhas e deixar estar.

     Vídeo / imagem, som / música, cores... Tudo se mistura num toque de real mesclado à fantasia. Envolvemo-nos, deixamos nos conduzir para dentro de um “Game”; vídeo / Vida.

     O jogo não tem limite e a vida é limitada.

     Não seria este o modo mais fácil e ilusório encontrado pela Nova Geração para fugir da realidade?

     Perde-se hoje; ganha-se amanhã. Recupera-se. E a vida? Não existe será recuperação para ela?  É verdade que temos jogadores hábeis, que fizeram a história até hoje. E daqui para frente, como será?

     Geração / gera / gerador.

     Nós só podemos ir movendo as peças e assim, continuar brincando; pois todo jogo tem seu final.

     Alguém irá ganhar e alguém irá perder. Vitoriosos e perdedores se misturam numa só tarefa: A competição.

     Liberdade e independência; sinônimos de Nova Geração.

 


                Vivendo melhor através da ciência e cultura

 Bernardo Santos

 

     Desde  a  Idade  da  Pedra,   o homem  da  caverna já estava cercado  de perigos por todos  os  lados;  sujeito  a  ser ferido  pelas  garras  de  animais selvagens, mordido por cobras,  ou ainda, obtendo fraturas de braço e perna ao  escorregar  nas  grandes  rochas.   O homem nunca foi de ferro,   mas  os males sempre foram misteriosos.

     E como facilitar a vida? Inventando é claro!   Pedra lascada para  quebrar, amassar, triturar, etc. Fogo para assar, cozinhar, etc.   Então surge a roda,   a escrita, a comunicação, a tecnologia. Inventar é ciência; conhecer é cultura.

     Livrar-nos do mal, buscar as estrelas!

     Hoje é muito difícil tentar compreender  a  ciência;   pois  ela  não  possuiu uma determinada definição.   A cada dia cientistas e mais cientistas afirmam novas descobertas através  de  pesquisas,   estudos  e  aprofundamento dos conhecimentos,  para  atingirem  o ápice:  a vitória,   tudo para satisfazer   as necessidades do encontro do óvulo com o espermatozoide.

     Crescemos, reproduzimos e viramos cinza na grande fogueira da morte, o maior mistério para a ciência.

     A arte de conhecer as doenças, as infecções e as moléstias constituem-se no sistema medicinal, que tem por fim a conservação ou o restabelecimento da saúde, mas às vezes, a cura nem sempre é solucionada e os médicos quebram a cara e não conseguem atingir seu objetivo e ficam na avaliação do se é de... daquilo... se não é... é provável que seja...

     Geralmente, a preocupação está voltada  ao  valor correspondente a cada diagnóstico fornecido;   a própria ciência comprova:   o símbolo medicinal;   a cobra e o cálice. Cobra-se o remédio, cobra-se a consulta, cobra-se a vida e a morte; ou seja, o veneno que mata e também o que salva.

     O avanço é fantástico, as descobertas maravilhosas.   Nos últimos anos  a ciência tem se desenvolvido com incrível rapidez,  há pouco tempo  o  câncer era tido como uma doença fatal, agora já temos cura para alguns tipos e  isto é claro que é importante.

     O cientista moderno vê o universo como um todo vital, onde os elementos estão ligados entre si num emaranhado de leis químicas e físicas interligadas, avançadas, completas, complexas que a simples mente humana é incapaz de entendê-las todas, tanto que, a filosofia em seu conceito de natureza tende a eliminar a necessidade de Deus. Quem precisa dele? Tudo se move sozinho... Isto causa aquilo e pronto...

     A ciência domina a vida. Ela se dobra e desdobra em novas descobertas para descobrir o que está escondido. Ela própria talvez esconda os mistérios de seu poder não revelado e inacessível.

     Não sou contra o desenvolvimento da ciência, da tecnologia. Pelo contrário, apoio novos métodos de cura, toda descoberta, desde que nos ajude a viver melhor e que não seja um artifício comercial pela busca de poder, soberania e dinheiro, ou método de nos mandar para o outro lado da vida.

     Neste drama da história da evolução da vida, do conhecimento, da cultura e  da  ciência,   onde  a  capacidade   de   pensar   está  em  primeiro   plano, intensifica-se o cimento da razão humana para mostrar que, o alicerce íntimo e interior de nossa estrutura  é  muito mais  bonito  e  misterioso que o nosso exterior. Não  há  nenhum  mal  em  conhecer  outras culturas,  não há mal em curar os males,  não  há mal em fazer ciência  e  fabricar  tecnologia;  o único mal e deixar de utilizar tudo isso para o nosso próprio bem;  pois são poucos os que conseguem beneficiar-se desta cultura científica e tecnológica.

 

“Bendito aquele que semeia Livros e faz o povo pensar”!

Castro Alves

 “De todos os que preenchem nossa solidão, são os Livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz”.

Marta Medeiros


 
 

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