Quem sou

Bernardo Santos

 

     Sou um, mas ao mesmo tempo sou vário. Sou uma pessoa e vivo milhões de personagens. Há muito para ser revelado em cada um de nós, e muito que não deve ser revelado.

     Fujo de mim, da própria existência e às vezes chego até pensar que não existo; sou um jogador, não de futebol, mas de palavras. Creio eu assim como a maioria dos escritores também o faz, e sei que é duro você ter que me chamar à atenção, mas é o seu dever.

     Faço coisas sem pensar, penso coisas sem querer e quando penso em fazer, não faço. Vivo a vida como vejo, mas ultimamente não ando vendo nada. Não faço críticas para não ser criticado, pois aquele que critica os outros para se defender pertence a mais baixa categoria de gente, e é lógico que eu não pertenço.           

     De tudo, um pouco a gente vê. E para que não sejamos tão distantes da vida, o melhor é contar até dez e mandar a tristeza embora para sete metros longe de tudo. Você dirá: Só Sete? Sim, só. Sete significa infinidade e então o que conclui? Não poderia pedir para que fizesse isto também, pois sei que em você não existe este tipo de sentimento; e isto talvez seja muito bom ou muito ruim, não sei.

     Nenhum de nós faz tudo o que precisa fazer com a perfeição com que deveria. Poderia falar as línguas dos homens, e até a dos anjos; mas se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o barulho do gongo ou da badalada do sino. O amor nunca desanima e suporta tudo com fé, esperança e paciência. Vejo que neste ponto somos iguais, mas existe em mim um pingo de inveja que é ver sempre em seu rosto o sorriso contagiante – e que belas gargalhadas – você não acha?

     Gostaria de ser assim, mas cada pessoa tem seu jeito de ser. E eu tenho o meu. Sou assim: meio doido, fanático em escrever, gosto de ouvir música alta, ir sempre que possível para o meio da mata e curtir as cidades históricas; até mesmo conto ou tento fazer a sua historia. Enfim sou uma peça que faz mover as teclas da máquina de escrever.

     Se o homem foi feito para uma comunhão no amor, quem procura outra saída erra o caminho, e pelo que me disse um dia, que vivo de ilusões só posso lhe dizer que minha consciência diz para fazer da vida um sonho, da ilusão uma realidade, do pai um amigo e do amigo um irmão. E assim, “meu amigo de fé, irmão e camarada”, não se preocupe com o meio em que vivo, pois vivo para transformar todos estes mandamentos em minha própria vida, o meu amanhã; o futuro de meu ser.

     Diante de toda minha teimosia, peço-lhe desculpas pelas falhas e agradeço por toda a sua preocupação comigo. Obrigado Pai!

 

(Este texto foi escrito em fevereiro/82 como parte integrante do livro: O Míssil Humano).

 
 
 

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