“Pantaleão e as Visitadoras”
e a Organização Burocrática

Bernardo Santos
           

            Mario Vargas Llosa, ao brincar com comportamentos autoritários e controles do Exército em seu livro: “Pantaleão e as visitadoras”, além de enfocar temas extremamente politizados como as relações operacionais de trabalho, a presença do militarismo nos países sul-americanos, a exploração da mulher, o direito à liberdade, a moral; e temas de caráter pessoal como o amor, a fidelidade (às pessoas e causas), a traição e a verdade de cada um de nós, acabou inserindo em sua obra valiosos conceitos conforme a teoria de Fernando C. Prestes Motta e Luiz Bresser Pereira, em a “Introdução à Organização Burocrática”.

            O contraste entre o exagero e  a  obediência   servil  de  Pantaleão Pantoja

–     principal personagem  –  ao normativo militar e a libertinagem do ambiente de

prostituição em que ele é levado a trabalhar, rende diversas situações, de maneira

peculiar,    que ele consegue com maestria e eficiência transformar a “putaria” em

dever pátrio.

            Encarregado de implantar um bordel na Floresta Amazônica, mas especificamente em Iquitos, como missão estratégica das Forças Armadas Peruanas para conter o abuso e ataque sexual praticado por soldados na cidade e povoados das redondezas, cria o SVGPFA, Serviço de Visitadoras para Guarnições, Postos de fronteiras e Afins, de forma a executar oficialmente em segredo, longe das divisas e relacionamentos militares, trocando o uniforme pelo vestuário comum e vivendo como cidadão  civil.

            Como sem eficiência e sem produtividade não há organizações, a relação entre esforço e resultado vai regular a atividade humana, pois não existe organização sem administração. Uma organização ou burocracia é um sistema social racional, onde a divisão do trabalho tem em vista os fins visados. Assim, o administrador tem como objetivo obter o máximo de cooperação e produtividade de seus subordinados. Deste modo, o capitão Pantoja é o escolhido, pois é um “organizador nato, senso matemático da ordem, capacidade executiva e grande administrador do regimento com eficácia e verdadeira inspiração”.

            Íntegro, exemplar como cidadão e como militar,  Pantoja têm liderança natural tradicional, que é de importância fundamental para o bom funcionamento das organizações; assim, consegue e transforma sua missão em um grande empreendimento de prostitutas.  Dedicado, hábil no trato com os números, faz estatísticas e consegue o melhor desempenho possível de cada “visitadora”. Metódico, segue rígida disciplina, consigo próprio e com os outros, mesmo assim ainda leva a fama de ser um líder carismático.

            No exército,     a autoridade deriva  de  um sistema fechado  de normas de

mando e subordinação, com administração formalmente planejada, organizada,  e

sua execução se realiza através de documentos escritos, o que não é diferente  no

SVGPFA,   pois  Pantaleão  Pantoja  não  abre  mão  de  seus longos  e  detalhados

relatórios como troca de correspondências entre ele e seus superiores. Na verdade,

o  superior  tem  sempre  a  possibilidade,   em  maior  ou menor grau,  de  demitir,

afastar ou mesmo expulsar àqueles cujos preceitos ou condutas são desfavoráveis

à organização, como foi bem exemplificado no pedido de solicitação de baixa  do

comandante e padre, chefe do  Corpo de Capelães, Godofredo Beltrán, que insistia

em ser contra os “investimentos  desperdiçados” e  a  implantação  do “serviço de

visitadoras”.

            Mas nem tudo é perfeito. A possibilidade de haver falha e deficiências em um sistema burocrático não se exime de acontecer, e uma organização pode fracassar frente à concorrência, desvios de condutas, influências religiosas, subornos, roubos e outros encalços de que Pantoja também não se isenta. Obcecado pela beleza exuberante de uma “funcionária” de apelido Brasileira,  ele põe tudo a perder. Um jornalista(Sinchi), que além de divulgar o aflair, também consegue descobrir o esquema secreto de recreação montado pelo exército; tais revelações criam um rompimento familiar, levando sua esposa a abandoná-lo justamente após o nascimento da filha. Grupos religiosos abrem manifestações contra a imoralidade praticada na selva, outros atacam o SVGPFA querendo desfrutar das regalias militares e também com reivindicações de receberem a “prestação de serviços”, o que acaba em morte da amante do coronel Pantaleão Pantoja, que presta solenemente honras militares à finada em seu sepultamento, criando uma situação constrangedora e fora da ordem habitual, quase rompendo com sua carreira.

            Mas, como o amor ao exército está acima de tudo, Pantaleão Pantoja consegue uma transferência (recurso empregado nas burocracias como meio de testar e ampliar experiência de administradores que estão para ser promovidos, como para encerrar funções de mediocridade) para a Guarnição de Pomata, onde mais uma vez irá cumprir sua missão com a mesma dedicação, aceitando com a maior dignidade todas as punições que recebe, trocando o calor amazonense pelo frio árduo do lago Titicaca, demonstrando que: “A burocracia é mais plenamente desenvolvida quanto mais se desumaniza. A eliminação do amor, do ódio e de todos os elementos pessoais, emocionais e irracionais, que escapam ao cálculo”.

            Ao contrário da organização familiar, em que Pantaleão acaba sendo perdoado por seus deslizes, dentro de uma burocracia não há lugar para sentimentos, favoritismo, gratidão, simpatia e antipatia. O administrador burocrático é um homem imparcial e objetivo, que tem como missão cumprir as obrigações de seu cargo e contribuir para a consecução dos objetivos da organização. Ele administra em nome de terceiros, e não se identifica com o chefe, mas com a organização.

 E  assim é ele, o coronel administrador Pantaleão Pantoja, ao seu dispor:

“Manda quem pode; obedece quem tem juízo”.

(Análise feita para a disciplina de administração em marketing - cepead UFMG - 2008)



Pensando Bem

Bernardo Santos

 

       De  repente  o  céu  se  cala   e   a  noite  deixa  de  conversar    com   as estrelas.   A ilusão transforma-se  numa  saudade   e  você não sabe nem ao menos onde se encontrar.

     O ar pode estar pesado e carregado por uma ventania, mas existe o consolo da saída, um meio, a partida e a chegada. Haverá sempre um amanhã para um hoje que não foi feito de aventuras e, então, devemos renunciar aos sofrimentos e saborear o gosto puro de uma gargalhada ou mesmo sorrir da tristeza.

     Ao invés de ficar matutando as falhas da vida, os problemas do dia a dia, por que não pensar em relembrar aquele passado que nos acolheu e que fez de nós alguém melhor sem nada pedir e assim o quanto antes abandonar o meio e chegar logo ao fim?

     Devemos lembrar de um sonho, de uma poesia sem autor, das bocas que beijamos um dia, dos braços que nos abraçou, dos corpos que nos tocou e dos carinhos recebidos. De todo amor louco que cometemos e assim levantar a cabeça e sair cantando.

     Se esquecermos definitivamente a sombra da escuridão e lembrar dos amigos que temos e que nos querem bem, olhar a lua e ver nela a imagem de um ser, um ente querido; lembrar que temos um amor e sentir que neste momento existe um mundo de felicidade ao nosso redor, perceberemos o quão fácil é a gente ser feliz.

 
                 


Porto Seguro, local onde nasceu o Brasil

Bernardo Santos

 

"E velejando nós pela costa, na distância de dez léguas do sítio onde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada".

Pero Vaz de Caminha

      Apoiados na letra do Tratado de Tordesilhas, cerca de mil e quinhentos portugueses embarcados em nove naus, três caravelas e uma pequena nave de mantimentos atravessaram o Atlântico. Era a segunda armada da Índia, a maior que saíra de Portugal a caminho do mundo. Havia zarpado do Tejo por entre exclamações e lágrimas com 13 navios, mas a 23 de março, nas águas calmas, porém enevoadas de Cabo Verde, uma das naus desapareceu sem deixar rastro.

     Em 21 de abril de 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral avistou um monte muito alto e arredondado e deu-lhe o nome de Monte Pascoal. No dia seguinte, depois de 42 dias de viagens, sua frota vislumbrava terra firme – mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Os portugueses desembarcaram pela primeira vez em território brasileiro,  batizado Ilha de Vera Cruz. Neste instante, nosso país estava entrando  para  o curso da História. Foi justamente no município de Cabrália, na Coroa Vermelha, que Frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa, quatro dias após a descoberta, e até hoje continua a  ser orgulhosamente relembrada por brancos e índios em cada ano que passa.

     Porto Seguro é um município situado no extremo sul da Bahia, cortado pelo Rio Buranhém, fundado em 1534. Possui cerca de 126.770 habitantes e está tombado em quase sua totalidade pelo Patrimônio Histórico, não sendo permitida a construção de prédios altos (com mais de dois andares). Primeiro núcleo habitacional do Brasil, onde ostentou o marco do descobrimento e desempenhou papel importante nos primeiros anos da colonização. Com antigos monumentos históricos, como o sitio da Cidade Alta, que foi decretado pelo presidente Emílio Garrastazu Médice em 1973; o Marco do Descobrimento, que veio de Portugal entre 1503 e 1526 simbolizando o poder da coroa portuguesa; todo em pedra  de cantaria, de um lado foi esculpido a Ordem de Avis e do outro o Brasão de Armas de Portugal. Na mesma área está a igreja Nossa Senhora da Pena de 1535, construída pelo donatário da capitania Pero do Campo Tourinho. Na igreja estão guardadas imagens sacras dos séculos XVI e XVII.

     A história de Porto Seguro desenvolveu-se ao longo do tempo, sendo a cidade hoje considerada um dos mais importantes polos turísticos do Brasil, recebendo turistas do mundo inteiro. A diversão vai desde um roteiro histórico e cultural até passeios mais agitados, tanto durante o dia, quando o lazer náutico é praticado, como à noite, quando os bares, barracas de ruas e restaurantes de diversos tipos de culinária lotam. A chamada “Passarela do Álcool” tem várias barracas em uma mesma rua, um dos points mais agitados da noite. Na orla, acontece o famoso “Reggae Night”, em vários dias da semana, com Axé ao vivo, no Tôa Tôa e no Axé Moi.

     A Natureza exuberante guarda ainda muito dos traços descritos na famosa “Carta de Pero Vaz de Caminha” – a certidão de nascimento do Brasil. As praias continuam tão bonitas quanto na época do descobrimento: Itacimirim, Taperapuã e Ponta Grossa são as melhores para se tomar sol, curtir o mar azul, imaginar caravelas chegando do alto mar e lembrar do encontro entre índios e portugueses, que deu inicio à história do Brasil.

       É  por  isso  que  o   Brasil   é   mais baiano.   Todos  os  brasileiros    são baianos.  Somos filhos da pátria amada,  idolatrada;  pois  o  nosso  país é  e sempre será o nosso Porto Seguro.      

   

 
 
 

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