Objeto Humano

Bernardo Santos

                 “A  mulher  é  uma  flor  que  se  estuda,  como  a flor do campo,  pelas  suas  cores,   pelas  suas folhas  e,   sobretudo,  pelo  seu  perfume”. Frase de José de Alencar em  A Viuvinha.  Será  que comparar  a   mulher  atualmente  a   uma   flor   estaria    sendo  honesto  com   o   princípio  da  natureza?   E então  vem  a  pergunta:   Com  o  que comparar  a  mulher?   Pensei  no  relógio  que  anda  vinte  e  quatro horas  no  mesmo sentido, que  nos  desperta  fazendo acordar para a vida

     A mulher derivou o ribeiro da vida e criou músculos e braços fortes e foi à luta para compartilhar das conquistas do homem, se fez poderosa e dominadora. Há quem diga que a mulher é como o açúcar que dulcifica a amargura e suaviza o áspero, purificando as impurezas. Mas será ela tão pura?

     A mulher criou uma liberdade de direito pelo sexo e deveras aterrorizante considerar centenas de milhares de mães adolescentes solteiras que tentam criar seus filhos sem pais. Não que elas não tenham esse direito, mas será que sabem conscientemente o que realmente estão fazendo? Ainda neste panorama, existe uma epidemia mundial daquelas que se tornam prostitutas devido a lares rompidos ou mesmo que se vendem para ganhar a vida; consideradas mulheres de vida fácil, mas por necessidade ou até mesmo luxo, só elas sabem o quanto deve ser difícil.

     Levar uma vida diferente, não é coisa só de mulher,    também é coisa de homem.  Decepções amorosas,   sofrimentos  e  desinteresses    e tantas outras causas  ampliam a oportunidade da pratica do  homossexualismo,   e, mesmo que  alguns  considerem  esse  modo de  vida imoral,  todos   têm   o direito de pensar e agir como  bem entender e,    homens  e mulheres podem aventurar-se bem abertamente,  advogando livremente este conceito que não é  mais  encarado  com  o  estigma  de antes  e que   de certa maneira até já alcançou  um grau  de  respeitabilidade.  Assim,   todos os dias prosseguem; homem virando mulher e mulher virando homem.

     Anormal para uns;  natural  para outros,    estas coisas fazem parte do desenvolvimento da formação da vida. Homens e mulheres conseguem fazer os ajustes  necessários e  alcançar  um   equilíbrio  na vida   sexual,    mas há muitas armadilhas   e  neste aspecto  adicional  que não raro é lançado    em segundo plano; a incidência  de doenças  sexualmente transmissíveis.   Para sustentar este  comportamento é necessário muito cuidado em todas  as circunstâncias.  Pensar,  raciocinar,  questionar.          Não há certo ou errado para a conduta humana.  É  preciso viver  em  sociedade  com respeito, sendo o preconceito coisa do passado.   No fundo o que todos os seres humanos buscam em seu semelhante  é   o  amor, junto com ele, a tentativa de simplesmente alcançar a felicidade; seja ela como for.

     Portanto, a mulher não é o sexo frágil, o homem também.

 


                 O Homem moderno                    

                                                  Bernardo Santos


      Há na face da Terra, após eras primitivas um ser constituído do mais alto padrão: O Homem Universificado; o ser moderno. É preciso despertar no coração de papel, de ferro e de cimento armado do homem moderno o sopro da simpatia humana, da afeição pura da poesia e das coisas singelas e vivas do amor.

     O homem moderno está cada vez mais frio de coração, isento de sentimentos. É preciso despertar em seu coração a simpatia humana.

     Uma criança nasce com o coração cheio de sentimentos, de amor, de pureza e de simplicidade. à medida que o tempo vai passando, esta criança vai perdendo estes bons sentimentos de seu coração, e tornar-se uma pessoa adulta, fria, calculista e sem qualquer tipo de emoção ou sentimento.

     Em parte, somos culpados por esta perda de sentimentos, pois não lutamos para conservar nosso coração de criança. Por outro lado, a vida e a sociedade em que vivemos nos obrigam a tal perda.

     Consciente ou inconscientemente, todos nós somos atores e representamos um papel perante o público. às vezes, o ator toma conta do homem e este se torna pequeno e pobre de espírito, na medida em que se deixa enganar pelas situações e procura possuir cada vez mais bens materiais e não espirituais.

     O homem verdadeiramente grande é o homem simples de coração. O homem, que apesar de possuir muito ou pouco, consegue manter seu espírito simples e humilde.

Alguns se esquecem que são atores e que tem vidas verdadeiras para serem vividas fora do palco. Estes não vivem para si próprios e sim para atender as exigências do público.

    Neste ponto, a sociedade degenera. Os homens não vivem como deveriam viver. São apenas insignes atores representantes de suas fantasias; máquinas de próprio consumo, sem corações e sem sentimentos.

     Negam a natureza humana, das afeições simples, das coisas singelas e vivas do amor; e então, fica em nossa mente uma pergunta: Estes podem ser considerados ou chamados de homem?

 

(Texto com base em “O Homem universificado”, do Livro: O Míssil Humano (inédito). Publicado no APN Clarenal, 1982 – SP).



O que é ser escritor

Bernardo Santos

 

     O escritor é aquele que se resume num papel e numa caneta para fazer o intercambio de ideias e sentimentos através das letras.

     Escrever é um ato de entrega, de amor e de crença. O soldado empunha uma arma para defender vidas, enquanto o escritor fala com símbolos no papel – através da liberdade de pensamento – e com eles mostra os sonhos, verdades, amores e ansiedades.

     O  escritor  está   sempre  pronto  para   as   dores  e  alegrias  do  mundo; disposto a  lutar  pelos  seus  direitos.   É um  ser  que  se transforma  com  a natureza:   Nasce,  cresce,   às  vezes  reproduz  e   morre  deixando  sempre marcas  profundas,    sejam pequenas ou  grandes;   por isso  é chamado  de imortal.

     O grande escritor participa da história: Esteve presente no Congresso de 45, na sombra do Estado Novo em declínio e fim da Segunda Guerra Mundial; em 85 buscou a Nova República e viu o sonho do povo partir justamente com o “Adeus a Tancredo Neves”. Em 2011 levantou mais uma vez a bandeira das letras na defesa de seus direitos e interesses, escolhendo para isso a cidade de Ribeirão Preto em São Paulo, como cenário e palco de mais um evento em prol do Congresso de Escritores.

     Sena Freitas disse um dia que se nasce poeta, músico, orador; mas não se nasce escritor.

     Ser escritor não é ter fama, ser conhecido por todos; isso não importa. O importante é se dar valor e sentir que em meio a tantas coisas e gente é alguém muito especial.

     Ser escritor  é  seguir  em  frente  sem  olhar para trás. É não desanimar e nem desistir jamais! 

                                          

O Princípio
 
                                                       Bernardo Santos

 

     No princípio não havia nada, apenas uma vastidão, um espaço sideral, mas certo dia surgiu o Criador do Mundo e ele, vendo o espaço em branco resolveu preenche-lo o mais depressa possível. E assim o fez.

     Sendo o princípio da vida, consagrou-se Deus Todo Poderoso e criou o Céu e a Terra. A Terra, porém, estava informe e vazia. Ele criou a luz e a separou das trevas que cobriam o abismo. à luz chamou de dia, às trevas, de noite. Houve uma tarde e uma manhã e assim o primeiro dia.

     Separou as águas do firmamento e a ele deu o nome de céu. Mais uma tarde e outra manhã; formou-se o segundo dia.

     Juntou ele as águas num mesmo local e fez aparecer um elemento árido que o chamou de terra e ao ajuntamento das águas de mar. Fez produzir verduras, ervas com sementes e árvores frutíferas, que dessem fruto contendo sementes segundo sua espécie e sucedeu-se mais uma tarde e outra manhã e foi o terceiro dia.

     Definiu o dia e a noite com luzeiros no firmamento do céu e eles se constituíram sinais para marcarem o tempo. O sol e as estrelas resplandeceram brilhantes, correu uma tarde e uma manhã e se fez o quarto dia.

     Nas águas produziu uma multidão de seres vivos e criou pássaros para voarem sobre a terra cobertos pelo céu e ao abençoa-los, disse para que eles frutificassem e multiplicassem e correu uma tarde e uma manhã para o quinto dia.

     Animais selvagens e répteis criaram vida sobre a terra, então; Deus criou o homem para reinar sobre os peixes do mar, os pássaros do céu, os animais da terra à sua imagem e semelhança e também deu vida à mulher, recomendando o desenvolvimento de novas criaturas e lhes entregaram as ervas, as raízes e as frutas, para usarem como alimentação. Deus sorriu contemplando toda a sua obra e viu que tudo era muito bom. Veio uma tarde e outra manhã e o sexto dia.

     Constituída a maior obra-prima, Deus descansou no sétimo dia, e este, consagrou e abençoou como repouso de seu trabalho e criação.

     Tudo foi feito de um nada;   nasceu  o paraíso diante do mundo, mas Deus recomendou ao homem  que  não comesse  o  fruto  da  árvore da ciência do bem e do mal,  mas a serpente era  o  mais astuto  de  todos  os  animais  do campo e ela dominou a mulher para comer o fruto e fazer com que  o homem também  o  comesse.   Deus  castigaram-lhes.     A  serpente  passaria  a  se rastejar e  comer  o pó pelo caminho  em todos  os dias de sua  vida  e  seria amaldiçoada entre  os  animais.   A mulher  receberia  sofrimentos  em   seus partos e daria a luz com dor aos seus filhos  e  ficaria sob  o  domínio  de seu marido. O homem pagaria com trabalho penosos o seu sustento, suaria para comer o pão e teria espinhos  e  aboios em seu caminho, até  o  dia  em  que voltasse à terra  de  onde foi tirado  e  ser desfeito  novamente  em pó,  como dele proveio.

     Mas o homem não se conteve. Quis brincar de ser Deus e seguiu em frente. Formou famílias e domesticou animais. Uma multidão de gente espalhou pela Terra em busca de conquistas de territórios e surgiram as guerras. Com elas, a Terra foi dividida em Países, Estados, Cidades, Zonas rurais, Bairros. A Natureza foi invadida e abriu espaço à moradia; palácios, castelos, casas, prédios, cortiços, favelas e sem-teto. Invenções e Inventos não param mais, sejam para o bem ou para o mal; estão sempre a todo vapor, mas nem todos os seres humanos podem acompanhar e usufruir as invenções. Mas, a concorrência é acirrada e todos querem vencer custe o que custar; a corrida atrás do ouro para se tornar o maioral, o líder, o deus.

     Deus  fez  tudo isso.  O  homem  passou  a   viver  conforme  determinado, pagando  até  hoje  com  o  sacrifício  de  seus braços  o  erro  do  ontem   na presença do hoje.   O homem fez  o  que bem entendeu  e  o   faz ainda o que bem entende; se bem que,  o que faz,  muitos não entendem  e,  esta jornada se decompõe nas raízes de seu futuro, que está nas mãos de seu criador. No dia em que ele pagar  a  pena  de  seu pecado será julgado  e  voltará  a   ser poeira que  o  vento espalhará para  o  longe,   apagando definitivamente   os rastros de seus pés na areia,   não deixando vestígios  de  que um dia existiu um ser chamado de homem.

     Até que chegue este dia, o homem aproveita seu mundo e seu tempo nas dedicações mais incríveis que ele próprio cria com suas mãos, através do poder mental e da capacidade de inteligência que possui. Procura atingir o máximo no desfruto de sua massa cinzenta e sendo racional, captor das valiosas riquezas e conquistador da altura do talento, o homem cresce e cresce e se faz grande, não em estatura, mas em ideias. A história e a ciência dizem que o homem evoluiu de um ser primitivo; um macaco. Coincidência ou não, uma comparação pode ser traçada: Nem um deles possui sossego, vivem pulando de galho em galho e se estes quebram, eles se levantam, fazem um gesto de ironia e prosseguem novamente com os pulos e nem se preocupam com os galhos deixados para trás.

     Guerreiro, lutador, general de seus pensamentos, defensor de suas palavras, rei da vida, famoso machão. Esta é a figura traçada na tela multicor das reticências, entre aspas.

     Bruto,  valente, forte,   corajoso. Nada mais que uma ladainha do dia a dia. Levanta  os  braços  às  alturas, carrega sua arma  e   atira gritos de  vitórias. Faz-se rei e coroa sua própria cabeça.

     O homem caminha em sua linha reta, mas curvou-se na direção errada e acabou num abismo, num imenso labirinto, do qual não consegue mais sair.

     Que Deus tenha piedade de nós!

 

 (Este texto é parte integrante do Livro: O míssil humano - Inédito)

 


 O segredo do sucesso

                                                      Bernardo Santos

 

     O segredo do sucesso está em: Não tentar fugir das responsabilidades, mas sim estar disposto a arcar com elas.

     Ler bons livros e assistir peças e filmes, em vez de perder tempo com revistas fúteis e espetáculos banais, que não tenham nenhum conteúdo e só venham a iludir.

     Não desperdiçar o tempo e a energia, ficando aflito com incidentes sem importância, preocupando-se desnecessariamente com coisas já passadas ou que ainda nem aconteceram.

     Progredir diariamente. Aquele que não progride, não está apenas parado; ele está regredindo. A jornada da vida é como subir uma ladeira puxando uma carroça pesada, se parar, acaba-se por regredir alguns passos.

     A nossa mente e o nosso corpo são ferramentas de trabalho; se não cuidar bem, ou deixar em desuso, acaba enferrujando.

     Agir é sempre melhor que ficar parado, mesmo quando o resultado seja um fracasso, pois pelo menos se ganha  experiência.

     Portanto, para obter sucesso é preciso juntar as forças do corpo, da mente e da alma e somar muita vontade de vencer. É não desanimar jamais!

                        

                                Os Mestres                               

                                            Bernardo Santos

 

     Quem ensina; professor.

     O livro mestre fechou suas páginas há tempos atrás, e então, a vontade de conhecer um ser bondoso que dava de si aos outros ficou presente em minha vida; mas, dizem que o espírito mestre foi reencarnado em meu ser e não sendo descrente, acredito que Deus tenha enviado a maior glória para as minhas realizações; que é o gosto predominante pelas coisas do espírito.

     Os Mestres, que amam sem serem amados, que dão e nada recebem, que auxiliam e nunca são auxiliados; são pessoas da mais sincera verdade, são famosas mesmo sem terem fama. São grandes obras do destino.

     A orientação faz com que abramos nossa mente e que dentro dela guardemos para todo sempre o fruto da mais desconhecida árvore: A sabedoria.

     Mestre; aquele que nunca deixou ninguém sair sem conceitos, sem nome, que ilumina o caminho, a verdade e a vida.

     Tenho a honra de fazer parte de uma família que recebe o título de “Mestre” em seus nomes; transformando-se num pseudônimo de orgulho: A começar pelo meu avô: Francisco Mestre; que deu origem a seus filhos: Zé mestre, Maria Mestre, Sebastião Mestre, Tião Mestre (meu pai biológico), Anna Mestre, Lilica Mestre, Juca Mestre, Judith Mestre, Cleontina Mestre, Joaquim Mestre, Antônio Mestre e Marieta Mestre.  Eles me fizeram conhecer o mundo, seguir a pureza e a honestidade e muito mais; seguir a profecia da escrita, dos ensinamentos das preces dos poetas.

     Sou Mestre em meu conceito, graças ao poder do Mestre único, que concedeu forças suficientes aos verdadeiros pais das matérias; àqueles que pregam seus ensinamentos para fazerem de uma criança inocente um homem enriquecido pelos conhecimentos, àqueles que nos reforçam a inteligência dotada para ser empregada em benefício do bem, voltada para os bons sentidos que a vida oferece.

     Os Mestres verdadeiros são os que mantêm os corações abertos, que possuem a mente livre de preconceitos. São aqueles que vieram ao mundo com um destino predeterminado, o dom divino de ensinar. Querer aprender cabe a nós, os seus alunos.

     Assim, um dia poderei acrescentar também ao meu nome este símbolo de vida; Bernardo Mestre ou Mestre Bernardo. Quem sabe?

     Mas em minha autoavaliação isso está longe de acontecer, pois ainda tenho muito a aprender e ensinar para poder receber este título.

 

(Este texto é parte integrante dos “Monólogos aos necessitados”, do Livro: O míssil humano, inédito).

 
 
 

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