Quando as rosas deixaram de existir

Bernardo Santos

 

As flores estavam murchas;

o vaso sem água,

as folhas caídas,

a mesa sem vida.

A vida (sofrida) ferida

em mágoa.


 No caminho tinha pedra;

mas não havia espinhos.

Ninhos sem pássaros,

beija-flores desesperados

voando sem destino.

 

Sumiram as flores;

o enfeite natural.

Ficou triste o terreno,

o quintal

vazio

sem nada.

 

As flores!

Todas, onde estão?


A primavera colorida

perdeu a cor.

O amor dos românticos

morreram nas floriculturas

em caules secos

espalhados pelo chão.

 

Que lindo era a rosa,

a rosa de Cecília Meireles

que um dia se teve à mão

e que agora está seca

guardada num álbum qualquer.

 

Sonho de flores

Acordou-me

mostrando o vaso,

a água,

as flores,

a alegria de enxergá-las...

Belas, lindas, vivas!

 

Contudo, 

sonho de flores fez-me chorar

levando embora e para sempre

a rosa do povo.

Tentei correr atrás

e tropecei  na pedra do caminho;

ao cair, me machuquei

na tristeza da partida.

Carlos se foi...

Drummond fica na saudade,

Andrade na eternidade.

 

Carlos Drummond de Andrade

as rosas não deixaram de existir;

foi apenas um sonho

deste humilde poeta.

Elas, todas, estão aqui

florindo o jardim

de sua eterna poesia!

 
 
 

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