Velhos amigos

Bernardo Santos

 

Juntos caminharemos

como duas crianças

por este mundo louco

em busca de um paraíso.

As lembranças em nossos rostos cansados

soprarão forte com o vento

e nossas forças esgotadas

serão como frutas doces amargas,

mas, como se algo esperássemos

de tudo o que abandonamos,

usamos e se desgastou

e agora ficou de lado;

iluminaríamos o sorriso

que nunca nos enganou

e como pai e filho

seria eterna a nossa amizade.

Lembremos: Ninguém melhor que nós

sabe o que a vida tem de bom e ruim,

além de tudo sabemos também

que velho será o nosso fim.

 

 Esta poesia é parte integrante do Livro: Poeira de Estrelas e Sonhos, 2011.




Vento que vai e volta

Bernardo Santos

 

E o vento continua

a carregar a folha

indefesa, debatida

jogada ao longe.

Dura, seca, austera.

A árvore distante

fraca e apodrecida

de raízes frouxas

e quase sem vida

continuou em pé

vendo a folha sumir.



Velha imagem

Bernardo Santos

 

A figura, no espelho, projeta-se

mas nunca surge a imagem

e vivo buscando pouco a pouco

eterna semelhança

nas coisas que não existem.

Traço a traço

dou vida ao quadro de Monalisa

que a recusa transformando-se

em estátua de pedra.

E um dia, quem sabe

com simples palavras escreverei

o poema da tua vida.

E do lado de lá

existe outra artista

que com sua aquarela

no fundo do tempo

pinta um retrato

de um menino louco.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.




Vidas invividas

Bernardo Santos

 

Inútil e despido

será meu corpo sozinho.

Passarei lúcido e frio

por este caminho.

Um vento me envolverá

pelo mundo em pedaços

me afundando na areia

áspera e dura;

mas nem adeus lhe darei,

pois sou a vida cansada

sofrida e ferida

que vai em saudades

brandas e suaves.

Sou o fim de uma esperança

que parte em busca da liberdade.



Volume sem som

Bernardo Santos

 

On

Off

está no rádio.

Ligar ou não?

Por que perguntar?

Se o maior medo

é ouvir uma música

que me lembre você

e talvez me faça chorar

e chorar pra que?

Se é mais fácil sorrir

desta grande piada

que é chorar por você.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.

 
 
 

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