Vermelho e branco

 Bernardo Santos


Muito encarnado;
 
rubro
 
escarlate
 
purpúreo

revolucionário

em que se usam palavras obscenas.

 Álcool e sangue de drago

variedade de peixe
 
cor de neve ou leite?

Alvo

níveo

cândido

pálido

lívido.

Espaço entre linhas escritas,
 
antiga moeda de prata,
 
toalha vermelha carente
 
com pontos em branco
 
como o preto no branco

acinzentando a vida.

Sinônimos de cores
do colorido sujeito;

elíptico ou talvez inexistente,

 mas não indeterminado

 na palavra homem.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Vidolência

Bernardo Santos

 

Detono rocha

pedra voa

escavo pedra

pedra amola

amolo faca

faca rola

sangue.

O corte é afiado

no fio da vida.

Como viver sem violência?

Procura-se resposta.

 

Selecionada entre as 40 semifinalistas do VII FestCampos de Poesia Falada, 2005 - Campos dos Goitacazes - RJ



Velhos amigos

Bernardo Santos

 

Juntos caminharemos

como duas crianças

por este mundo louco

em busca de um paraíso.

As lembranças em nossos rostos cansados

soprarão forte com o vento

e nossas forças esgotadas

serão como frutas doces amargas,

mas, como se algo esperássemos

de tudo o que abandonamos,

usamos e se desgastou

e agora ficou de lado;

iluminaríamos o sorriso

que nunca nos enganou

e como pai e filho

seria eterna a nossa amizade.

Lembremos: Ninguém melhor que nós

sabe o que a vida tem de bom e ruim,

além de tudo sabemos também

que velho será o nosso fim.

 

 Esta poesia é parte integrante do Livro: Poeira de Estrelas e Sonhos, 2011.



Velho poema

Bernardo Santos

O lado brilhante de cada coisa;
pessoas malfeitoras
torres que jorram culpa.
Entre as trevas
a desgraça poluindo:
Fumaça
fogo ardente
pena sem pena.
Quantos galhos e troncos
no chão duro brotando
a  janela da insegurança?
Pedras rolantes sem rumo certo a rolar:
Queda da descida,
o tombo.
O corpo já está podre,
estranha mão
que barra a voz
dos lábios fictícios
e que não para de escrever.
Fundo na distância,
todos estão distantes:
Distantes...
               Distantes...
                              Distantes.
A poesia foge das veias
que correm no papel
e os poemas dão risadas
das loucuras do mundo.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011




Vento que vai e volta

Bernardo Santos

 

E o vento continua

a carregar a folha

indefesa, debatida

jogada ao longe.

Dura, seca, austera.

A árvore distante

fraca e apodrecida

de raízes frouxas

e quase sem vida

continuou em pé

vendo a folha sumir.



Velha imagem

Bernardo Santos

 

A figura, no espelho, projeta-se

mas nunca surge a imagem

e vivo buscando pouco a pouco

eterna semelhança

nas coisas que não existem.

Traço a traço

dou vida ao quadro de Monalisa

que a recusa transformando-se

em estátua de pedra.

E um dia, quem sabe

com simples palavras escreverei

o poema da tua vida.

E do lado de lá

existe outra artista

que com sua aquarela

no fundo do tempo

pinta um retrato

de um menino louco.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.




Vidas invividas

Bernardo Santos

 

Inútil e despido

será meu corpo sozinho.

Passarei lúcido e frio

por este caminho.

Um vento me envolverá

pelo mundo em pedaços

me afundando na areia

áspera e dura;

mas nem adeus lhe darei,

pois sou a vida cansada

sofrida e ferida

que vai em saudades

brandas e suaves.

Sou o fim de uma esperança

que parte em busca da liberdade.



Volume sem som

Bernardo Santos

 

On

Off

está no rádio.

Ligar ou não?

Por que perguntar?

Se o maior medo

é ouvir uma música

que me lembre você

e talvez me faça chorar

e chorar pra que?

Se é mais fácil sorrir

desta grande piada

que é chorar por você.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.

 
 
 

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