Sonho ao balanço do ônibus

Bernardo Santos

 

Da janela do ônibus

sabe que olho para ela,

na poeira do vidro

deixo meu rosto gravado.

O balanço me chacoalha

desfazendo a postura,

com o embalo durmo

e tenho um sonho de superfície;

nele, vejo figura de um quebra cabeça

que não se encaixa.

Cresce a vontade de chegar,

mas passo do ponto...

Amanhã, se dormir,

deixe-me sonhar de novo!


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonos, 2011.



        Sonhar é te querer

         Bernardo Santos


A vida é um sonho

e com ela vou sonhando com você.

Assim eu quis. Sonhar é te querer.

 

No silencio da noite te procuro

no escuro

no amanhecer.

 

Teu jeito de mulher

teu sorriso de menina

teu cabelo me fascina.

 

Venha sem medo

que te espero

mesmo que o caminho não tenha fim.

 

Mil pensamentos juntos

não tem a força de um pensamento só

quando este é só você.

 

Água cristalina na fonte

sede saciável de desejo

mar de realidade que almejo.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonos, 2011.



Soneto ao violão emudecido

Bernardo Santos

 

Que bela criatura de talento,

em um verso descreve o seu encanto

no bar, uma bebida cura o pranto

na música, a dor do sofrimento.

 

A letra, melodia de sentimento

não deixa sequer dúvida e espanto,

que o poeta nada tem de santo

em fazer do violão juramento.

 

Mas triste fica a canção fora do tom,

ao cantar a Garota de Ipanema

com o doce balanço da menina.

 

Menina que inspira um poema

com rima, tudo em cima, sem a “mina”

as cordas de ouro ficam sem o som.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



        Sentimentos sujos

Bernardo Santos

 

Se fosse, seria

se existisse, existiria

se amasse, seria amor

se fosse verdadeiro

existiria felicidade.

Quando será?

Quando existirá?

Não existe resposta.

A felicidade não vem;

deve ser feita.

O amor não se compra;

constrói-se.

Vejam nuvens, neblinas

olhem o chão molhado

e os sentimentos

afundados na lama.


Publicada no livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Sentimento astral

Bernardo Santos

 

Astros, asteroides

meteoritos em choque

horas de trópicos.

A espera é áspera

dura, fera

ferida dor do destino.

Rege a Lua nova

sobre o planeta crescente

a Terra do domínio,

que de ti

inocente encontro

no tempo desconhecido.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Sem definição

Bernardo Santos

 

A esperança

perde os limites

e decai

na força suplente.

 

As palavras

de sentimentos

sofrem um equívoco

e não tem definição.

 

Os olhos se trancam

para a luz

e se apagam.

 

O coração passa a doer

sabendo que a saudade

não tem valor.

 

A poesia chora

e as lágrimas

molham o papel

que filtra o entristecer.

 

O galo na madrugada

já não canta a mesma canção

para anunciar a chegada do dia...



Selvilização

Bernardo Santos

 

Selva

Selvagem.

Matas

rios

vales

montanhas

verde

azul

claro

e tudo.

 

Flecha

Cacique

índios

animais...

 

Homem!

Homem branco?

Máquinas

civilização

progresso

arma e fogo

amarelo

preto

escuro

e nada.

                        

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.




Sem aversão

Bernardo Santos

 

Laço forte

de aço.

Coisas do rir

e do chorar:

Lama negra

a negra ama;

seja qual for a cor

seja de onde for

negro volta!

O fruto vingará

o futuro

um gelo

que refresca

e desfaz

o ontem no amanhã.

O filho do filho

é o pai,

o uso está no abuso

o tempo apaga as desilusões

o tempo devolve as ilusões

negro volta!

 


     Sonho infantil

        Bernardo Santos

 

Cabelos loiros

menininho,menininho...

De pé no chão

segue sozinho

de calça curta

e olhos pequenos

mora na rua ladrilhada

na casa molhada

não tem nome

e nem idade

sonha ser rei

mesmo sendo príncipe;

príncipe sem castelo.



Soneto à canção

 Bernardo Santos

 

 Canto a tristeza

choro a alegria

lembro de pensar

não penso em lembrar.

 

Bela recordação me trás a música

quando perdido em solidão

entrega-se um corpo ferido

aos espinhos do amor em pranto.

 

E lembrarás momentos vãos

marcados em sim, em não

lentas músicas, lentas horas.

 

Tantas canções sensibilizando os ouvidos

tantas dores profundas no peito

muitas lágrimas saindo dos olhos.     



Sala vazia

Bernardo Santos


Cadeiras espalhadas

abóbora na cor

todas paradas

desiguais na forma

mas iguais na dor.

Mesa branca

no canto

sozinha

vazia, sem vida

na festa sem multidão.

E uma pequena partícula

de carne e osso

osso duro de roer

sem fome

sem nome

sem meta!



Seu aniversário

 

Bernardo Santos

 

 

Hoje,

dia do seu aniversário,

mais um ano de vida

você completa.

Um ano que se foi

para nunca mais voltar,

mas que estará presente

em todos os dias

de sua rotina.

Você,

que vive no mato

na selva

na relva

que planta e colhe

percorre o caminho

sem se cansar.

Você,

que luta e batalha

constrói o futuro

e  vence o presente

sem se importar

com o passado.

Hoje,

dia do seu aniversario

como porta-voz do parabéns

cumprimento-te

desejando felicidades

glória, sucesso, tudo de bom

e uma longa caminhada

na trajetória da vida.

 

 


Soneto à descoberta do índio

Bernardo Santos

 

Vem mãe vivente Guaracy

proteger teu povo sofrido

nas tabas inseguras

prontas a desmoronar.

 

Traga Rudá de volta

para reinar na terra dos homens

e plantar sua semente

extinta no jardim dos corações.

 

Venha levar o saci embora

sua perna desordeira

sua ferida cobiçada

 

e com ele me explique a lenda

que tanto me envergonha falar

do índio, esse pobre desconhecido.       

 


Soneto ao Líbano

Bernardo Santos

 

Uma esperança,

apenas uma leve esperança.

Pequena fuga da coragem

que parte com o medo e a dor.

 

Como seria belo ver o sol

e triste se não houvesse chuva

a luz distante não atingiria

vida sem água não existiria.

 

E tão frágil seria o pensamento

que dele pouca coisa restaria

talvez não existisse a palavra guerra.

 

Infelizmente não há paz e só canhões

ativados pelo desejo da ambição

que espalham no chão marcas da existência.

 


Sombra fugitiva da verdade

Bernardo Santos

 

Fuga!

Uma covardia impulsa

que quer sim ou não

buscamos.

Farsa!

Um mundo de ilusão

em face do perigo

e a fantasia é nosso traje.

Poesia!

Que mais poderia ser?

É a eterna voz da liberdade

que busca a paz.

 

Publicada no livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Semeadura

Bernardo Santos

 

Vou semear letras

para formar palavras.

Vou plantar versos

para colher poesias!

  


Sujeira no chão

Bernardo Santos

 

Esqueçam o nosso país

vivamente impressionado

com o seu desenvolvimento

e enorme futuro potencial.

 

Lembrem-se da população

que nele habita

e aos poucos morrem

no desespero do presente.

 

Procurem a pureza da paz

pois aquele que a encontrar

construirá o reino do amor

e destruirá o campo da guerra.

Corram da violência

e fujam do egoísmo

para uma estrada limpa

porque este chão ainda é sujo.

 

 
 

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