O natal  

Bernardo Santos

 

O natal é uma festa do povo de Deus

e quer queiram ou não, eles próprios

gente materialista,

deixam que o Cristo reine

em todo o seu esplendor,

pois, por mais que danificarem este dia,

a paz que ele traz

é a confraternização que reina;

o amor e a esperança de um amanhã melhor.

É a amizade e a alegria

que dissipam os rancores

e fazem com que a dor se transforme em união.

É a paz que suaviza os corações sofridos,

fazendo com que o sofrimento

seja um pouco esquecido.

É o próprio Cristo que reina,

pois o natal é o seu aniversario;

aniversário de amor, de fé,

de esperança, de esplendor maior.

É Deus que renasce para o povo sofrido,

a festa que jamais poderá ser esquecida.



O belo ideal

Bernardo Santos

 

Todos querem alcançar

a altura do talento,

no entanto se esquecem

de porem os pés no chão

e sentir a dor

ao pisarem nos espinhos

daqueles que choram.

E quando notarem a injustiça

será tarde,

porque a suprema perfeição

a que aspiramos,

mas que não se atinge

estará totalmente morta.



O Gol

Bernardo Santos

 

Nego

   ego

  o gol

nervo

 

        Xingo

          finjo

         xi

           índio

         Xingu

é gol!

Que nada...

 

        Ora

que fora

            a bola bateu na trave.

 

O juiz em desespero

a torcida atacando o jogador

mãe de todos na boca do povo

enfim, foi-se o jogo

travando mais uma jogada.

 


Omar no Mar 

Bernardo Santos

 

Em busca do destino

com ventos e velas

na calma de um mar,

segue o pequeno  pescador Omar.

Remando com remo de ramo

sob o céu cintilante

dos outonos e verões

com versos naufragados

nos grandes olhos.

De um modo mais profundo

percorrendo o mundo

navegando com amor

a caminho de Roma.



O boia-fria

Bernardo Santos

 

O boia-fria almoça

carente, sofrido, calado

como um mudo.

Em pequenos gestos

sente na carne

o inverno

e numa só garfada

devora sua marmita

voltando a plantar

e colher

a moeda do rico.

Se algum dia

cargas positivas

e negativas

encontrar-lhe,

ele vai retrair

no choque;

o senhor da fazenda

vai apenas dizer

“pobre coitado”. 

 
 
 

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