Luz de mãe

Bernardo Santos


Mãe

caçadora e guerreira

corajosa.

Doadora de vida

amor eterno

amor materno

enquanto dura.

É alegria

que brilha

Trazendo-nos luz,

que às vezes rejeitamos    

tornando-a escura.

Assim mesmo;

na ingratidão dos fluxos

por nós cometidos,

este raio de luz

sempre está nos iluminando.



Luz do palco

Bernardo Santos


É um lance,

uma jogada incerta

irrestrita.

É um curto prazo,

desprezado pelo tempo

que remoe a ilusão

a tormento fatal.

É uma trajetória confusa,

perdida em metas.

É um pedaço contido de dor

de engano

de devaneio

e maldade extensa.

É mais uma temporada

que reluz no palco da vida.



Labirinto

Bernardo Santos

 

Ladeira da escuridão

lamacento,

lembrança obscura,

lero-lero

lesivo,

linguajar estranho

lisonjeiro,

lôbrego olhar

luzidio.

 

Ababelado momento

agonia presentemente

algor no coração

apelo para a fuga.

Argumento

atrocidade

avareza

asnático,

abjeção que não acaba.

 

Baboseira aos montes

baderna incomparável

banditismo,

bêbados

biscates

bombardeiros

burguesia que rompe.

 

Ignorância dos homens

imorais,

impertinentes.

Injuria grave,

intoxicação

invalidez permanente.

Insolência

insegurança,

injustiça com o amor.

 

Realidade falsa

recordações que não existem

recuo

repentino,

repressão

repto à morte,

resignação

rivalidade,

rugido de pena.

 

Ilusão que perturba

ilustrando a mente.

Infidelidade,

inferno

ingratidão

inveja no olhar,

imbecilidade

inacessível.

 

Nascimento condenado

naufrago da sociedade,

necedade dos guardiões,

nervosismo das mulheres.

Neutralidade,

ninguém.

Nostalgia

nublada pela escuridão.

 

Tempestade de guerras,

tentativa fracassada.

Tirania

tormento

tragédia

trela e receio.

Tufão que desabafa,

tiritante que chora

tempo que paralisa.

 

Obsesso

ociosidade

ofensor

ordinarismo

ousadia,

oito ou oitenta?

Ofensor do amanhã.

Outrora; não era assim

o mundo de hoje.



Lamentação

Bernardo Santos

 

Nesta prisão

nem mesmo as grades

impedirão-me.

Fugirei pela janela

como foge um ladrão.

Em passos pela cidade seguirei,

com sangue e lama

cada muro picharei

a palavra amor.

E da tua boca, quem sabe

ouvirei a mais límpida expressão;

uma frase simples e singela,

uma palavra somente:

Perdão!

                               

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.

 
 
 

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