Lamentação

Bernardo Santos

 

Nesta prisão

nem mesmo as grades

impedirão-me.

Fugirei pela janela

como foge um ladrão.

Em passos pela cidade seguirei,

com sangue e lama

cada muro picharei

a palavra amor.

E da tua boca, quem sabe

ouvirei a mais límpida expressão;

uma frase simples e singela,

uma palavra somente:

Perdão!

                               

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Luz de mãe


Bernardo Santos


Mãe

caçadora e guerreira

corajosa.

Doadora de vida

amor eterno

amor materno

enquanto dura.

É alegria

que brilha

Trazendo-nos luz,

que às vezes rejeitamos    

tornando-a escura.

Assim mesmo;

na ingratidão dos fluxos

por nós cometidos,

este raio de luz

sempre está nos iluminando.



Lenhador

Bernardo Santos

 

Machado forte

do corte afiado

que racha a madeira no meio.

É meio-dia

é meia hora

trabalhando sem parar

para cultivar seu ganha pão.

Corta, que corta

racha que lasca.

Madeira no talho

força no braço

cabo na mão.

Corte inteiro

meio corte

no levanta

e cai da vida.

São machadadas bruscas

madeira e aço

que se encontram

e separam

nas mãos

do lenhador.



Lago Mudo

Bernardo Santos

 

Vive na mata

entre os vales

refletindo o azul

do céu.

Água parada

e doce

de tamanho

silêncio.

Se movimenta

e não anda,

escuta o vento soprar

e não faz nenhum ruído.

Morre

quando seco

ficando tudo nulo.



Luz do palco

Bernardo Santos


É um lance,

uma jogada incerta

irrestrita.

É um curto prazo,

desprezado pelo tempo

que remoe a ilusão

a tormento fatal.

É uma trajetória confusa,

perdida em metas.

É um pedaço contido de dor

de engano

de devaneio

e maldade extensa.

É mais uma temporada

que reluz no palco da vida.


 
 

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