Festa Junina

Bernardo Santos

 

Bandeirinhas coloridas

cobrindo de fora a fora

o pátio adentro

enfeitando a casa

ao som do sanfoneiro.

Na roda giravam

da direita para a esquerda

um passo pra lá

dois para cá

uma volta inteira na ida

e meia na volta.

Crianças sorriam

de velhos parceiros

dançando quadrilha

junto com jovens.

A fogueira queimava

espantando o frio externo

enquanto o quentão aquecia o interno.

Batata-doce, pipoca, pinhão,

canjica, arroz-doce e pé de moleque.

Forró no arrasta-pé;

upas e vivas.

Modas de violas

uma após outra,

na festa caipira

a embalar sertanejos.



Falta de tempo

Bernardo Santos

 

 

Dormindo todo mundo é anjo,

acordado,

nem tempo de dizer “bom dia”,

a gente tem.

Então vem a pergunta:

Onde anda o meu tempo?

O tempo percorre

entre ponteiros e números

sinais e dígitos

e faz a hora,

hora que passa

que corre e não volta.

Os momentos são escravos do tempo,

dos sentimentos

que já nem existem.

Como perguntar como vai

quando o tempo vira

e todos vêm?

 

 


 Fantasia angelical

 
Bernardo Santos

 


Ente espiritual

que habita o céu

deleitou-se na imaginação

de um gozo.

Na página que precede

o frontispício

de uma obra terminada

em extremidade aguda.

Na cor afogueada

do sol oposto,

treme com frio o medo

coberto pela sombra.

Suspirou o ar

da camada fluida

que envolve a Terra

e a pequena clava

posta invertida

no interior do sino

se destinou

a faze-lo tocar,

fechando as feridas contaminadas

pela faculdade da imaginação.

 


 Fingimento

 Bernardo Santos

 

No mundo dos outros

vive a extrema miséria afetiva,

a mais raquítica das solidões

e forma a caricatura do fingir.

Todos fingem ser o que são

e neste fingir que finge

ganham o certificado de farsistas

que não sentem na carne

os seus destinos.

O nosso mundo

é repleto de amores

e na face,

cora-se o vermelho vivo

da felicidade

que exibe a ternura

real brilhante

no espelho das reflexões.

O fingimento é a arma dos covardes

que atiram balas contra a realidade

e o mais grave do fingir

é dizer que se vive só.

 
 
 

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Imagens de Abertura das Páginas: Licença Royalt-Free

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação



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