Em busca da primavera

 Bernardo Santos


As rosas se abrem

em meio às margaridas

e o lírio se perde pelo campo.

São milhares de violetas

que enfeitam espaços floridos

e ipês que se espalham pela mata.

No ar

presença do perfume

que vem do jasmim.

O cravo brota no vaso

com elegância e fineza

diante de uma orquídea

com vestes de princesa.

Flores tão lindas

em busca da primavera.

Não saberia qual colher;

melhor fazer um buquê com todas!



Em foco

Bernardo Santos

 

Receios, desejos

promessas de paraíso.

Depois sonhos, desejos, risos.

Beijos.

Dores sem remédios

prantos, tédio.

Depois nada...

O sol se congelando

a estrela perdendo o brilho,

um mistério no horizonte

a saudade constante

e um remorso na despedida.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011



Eu e você

Bernardo Santos


No princípio eu

num instante você

em algum lugar eu

em outro qualquer você.

Eu e um pouco de você

você e um pedaço de mim

eu e uma partícula de você.

Depois eu

depois você

eu e você

você e eu

e por fim nós.


Eu e você

você e eu

nós.

Um pedaço de mim em você

um pedaço de você em mim

nossos pedaços, juntos.

Eu, apenas eu

você, apenas você

distantes, desligados.

Eu aqui,

você ali,

separados pelo infinito

que restou de nós dois

e por aí

nossos restos de mentirosos.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Enxame

Bernardo Santos

 

Aglomeração da violência.

Zangão

abelha rainha

fortes e oprimidos

na busca do mel.

Néctar amargo

da flor alcalina,

enxames de abelhas

em cachos de uvas.

zumbidos corriqueiros

feridas da vida

na colmeia da dor.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Espelho

Bernardo Santos

 

Olhe à sua frente se permitir

e veja no espelho

a elegante vida de sua imagem.

Nenhuma tem os olhos iguais aos teus.

Olhe no espelho.

Lembre-se que lá fora

os homens armam guerras

reformando o mundo;

enquanto isto, sem agir,

procure concentrar-se

espelhando sua mente

e livrem-se, humildes olhos

que no espelho se perderam!

 

Publicado no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011



Encontro de nuvens

Bernardo Santos

 

O céu enrubesceu

e trombas d’ águas

caíram sobre a Terra

formando uma tempestade.


O trovão abalou os ouvidos

com relâmpagos cortando os ares.

O vento derrubou a mata

e a enxurrada lavou e levou a terra.

 

Foram-se as nuvens

foram-se as águas

e mais uma esperança

de não ser as trevas!

 

 Publicado no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011



Entre o céu e a terra

 Bernardo Santos

 

No grande palco da vida

caiu a lágrima

serenamente na vastidão

vazia.

Lágrima pequena

relíquia de mãe

em coração de filho,

espírito do mundo

no pórtico dos céus.

A nuvem chorava

o orvalho tremulava

a pérola nas profundezas do mar

também chorava

e a lágrima sorria:

- Um dia já rolei

as faces do Senhor,

do Santo

do Rei e do Sábio.

Jamais viverei

em seios perfumosos,

colos orgulhosos.

Ensinem a saudade soletrar

a palavra A-D-E-U-S

e verão que o palco

é a vida

a realidade

e a desilusão.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011

 


Encanto

Bernardo Santos


O canto que canto encanta

tua fala mansa encanta

encantam-se com nossa sonoridade

não haverá melhor noite encantada.

 

Canto com alegria e prazer

falas palavras engraçadas

alegram-se com nossa sonoridade

não haverá melhor noite de risadas.

 

O canto e o riso misturam-se

palavras e sons propagam-se

encanto e alegria irradiam

não haverá melhor noite ilustrada.

 

Publicado no Livro Poeira de estrelas e Sonhos – 2011



Era geográfica

Bernardo Santos

 

A poeira cósmica

entrou nos olhos do mundo

para cegá-los diante da vida.

Meteoros chocam-se com a Terra

que balança e contrai-se

em intensas reviravoltas.

Os trópicos perdem-se,

não se subdividem mais;

desaparecem do mapa.

As criaturas se afundam

em eternas lamas

e mais uma época

marca a história.

 


Escuridão 

Bernardo Santos

 

Rugas do passado,

marcas de rastros deixados

na terra ardente do chão;

se a vida, no entanto

é constante do fim

de um mundo que nos uniu.

Apenas lembranças, amadas

em outras terras do amor,

onde perdem no tempo a verdade;

vivendo acertando e errando

no jogo da vida.

Uma luz guia

uma alma herdeira

uma afeição verdadeira

num vago momento.

Um único pensamento

impulsionado pela força

e certeza de uma esperança melhor.

Buscar os pássaros nas nuvens,

refletir a mãe natureza,

despertar o viver num lago azul.

É um sonho puro e amestrado

que toca e sente na carne

em noites de lua cheia.

 


É preciso coragem...

Bernardo Santos

 

 ... para caminhar

nas pedras

pontiagudas

de calcário

e atravessar

a nado

o oceano.

... para sorrir

de alguém

que chora

de desespero

e grita

alto

bem alto

a tristeza

que lhe dói.

... de comer

um pão

que está na mesa

sabendo

que crianças

morrem de fome

e almeja certa migalha.

É preciso,

mas o homem tem coragem;

de caminhar na pedra

atravessar o oceano

sorrir da tristeza

comer o pão,

mesmo sendo

o que o diabo amassou.



Ele

Bernardo Santos

 

Ele lutou

com sacrifício

e suor

para garantir

a vida maior

de sua família.

Ele chorou

com lágrimas

de amor

e carinho

quando amarraram

num Jipe

sua esposa com uma corda.

Ele se entristeceu

ao doar seus filhos

e naquela casa de barro,

pedia a Deus

para que tudo desse certo.

Ele venceu

e é amado

por todos nós:

Seus filhos.

Ele é nosso pai. 

 
 

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