Bem confuso

Bernardo Santos

 

Tudo acabou.

Bem,

você foi má,

se bem que...

Bem como

e bem assim...

Faça o que quiser,

mas por favor

deixe de ser ruim

e procure

fazer o bem.


Publicado no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Bloqueio

Bernardo Santos

 

Estou na rede tecendo ideias

observando uma aranha a tecer sua teia.

Balanço a rede a embalar o pensamento,

o vento assopra levemente a teia.

A rede desloca pelo impulso,

a teia se mexe querendo se soltar.

A aranha avança em seu trabalho,

eu me perco na meditação.

O fio da rede, o barbante

num emaranhado de costura

projeta-se para frente e para trás.

A aranha, sem agulha, costura

fios pegajosos e seguros.

Levanto-me da rede para ver a aranha,

ela para de fiar.

Incomodada; deixa a teia.

A rede e a teia ficam vazias,

a aranha me observa,

eu observo a aranha.

Estamos com receio um do outro...

Ela quer apenas voltar e acabar a teia,

mas não sinto mais vontade de deitar na rede.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Brincadeira tem hora

Bernardo Santos

Não se acerta o passo
abraça-se o espaço
beija-se a solidão.
A poesia então invade
com raça
muita graça
trazendo a filosofia
antes da hora.



Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Baixo astral

Bernardo Santos

 

O natal a cada ano

está mais eletrônico

com seus enfeites

nada naturais;

até Papai Noel

já é virtual.

Mapa astral

depois do natal

o ano novo

de novo

mais um ano

é natural.

Outro astral

mais um ano

até chegar

outro natal.

Será natal?

Terá natal?

Outro ano

novo ano

de novo

ano novo

será?

É natural

ou artificial?

(Este ano não será normal).



Biologia do homem

Bernardo Santos


São máquinas

em busca do progresso

que invadem

destroem

transformam

matam.

São baterias

de controle remoto

que produzem

em montes

renovando

inventando

progredindo.



Brincadeira tem hora

Bernardo Santos


Não se acerta o passo

abraça-se o espaço

beija-se a solidão.

A poesia então invade

com raça

muita graça

trazendo a filosofia

antes da hora.

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos

 


Boca a boca

Bernardo Santos


Acomodado

calado

perdido em perguntas.

Tranquilo

sem rumo

riso fácil

voz pausada

e sem emoção.

De olhos opacos

em tristeza.

Pela boca condenada

morreu o peixe

de sua fama.

 

Publicado no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011


 
 

© 2010/21 - Bernardo Santos - Todos os direitos reservados

Lay-out e Hospedagem: Uol Host

Imagens de Abertura das Páginas: Licença Royalt-Free

Fotos: Arquivo Pessoal e Divulgação



  Site Map