A ecologia girando

Bernardo Santos

 

Relação de uma espécie

causas da população

indivíduos diferentes

ciclo da reprodução.

 

Vento forte pelos campos

em busca da mata costeira

a chuva cai cantando em pingos

que se espalham pelo chão.

 

Na biosfera tem palmeira

e sabias a cantar

uma triste canção

que faz o rio chorar

 

Os peixes flutuam

na águas espumadas

o caçador derruba a caça

e a floresta fica sem nada.

 

Meu Deus do céu

quanta ingratidão

a ecologia girando

e fazendo confusão.


Poema musicado escrito e composto em agosto/92



A poesia em si

Bernardo Santos


A poesia chora
mediante a dor
que a esmaga
contra a parede
e suplica vida
no mundo do papel.
Possui leitores
com olhos de vidro
e sentimento de pedra,
que não procuram
conhecê-la a fundo
numa verdadeira imagem.
Não busca o dinheiro
e nem enche a barriga
daqueles que sentem fome,
mas enriquece a alma
daqueles que amam.

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



Ao artista plástico

Bernardo Santos

 

Quebra-se um pote

porcelana fina

detalhes de pintura

obscura do artista

que artista?

A arte de ser

ou estar ciente que é

se for ou não.

Tantos abstratos

tantos múltiplos

coloridos sem cor

desfiguradas telas

que aos olhos críticos

não dizem nada

mas que à mão poderosa

de um pintor solene

diz muito em traços

riscos e rabiscos

pinceladas sujas

de uma tinta

cuja cor

só o tempo definirá.


Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos



A lágrima do céu

 

Bernardo Santos

 

A lágrima do céu

cai

rola

na lama

da terra.

Terra

da própria terra

que escorrega

o beijo da tarde.

Tranquilo fica o tempo,

secando a lágrima

da noite

nas fronteiras

da calma.




A mulher formosa

Bernardo Santos


Foi tom bom te conhecer
poder te sentir
tocar-te...

Muitas vezes os lábios não podem se beijar
e os olhos os fazem por eles
e neste olhar, profundo
procuro roubar-te, sutilmente
todo um mel que vem a tona
e na fantasia me perco em sonho
e do sonho busco nossa realidade.

No teu passado não estava presente,
já no presente, serei teu futuro
e dele nascerá nossa única semente.

Não existe brancura tal como a neve,
nem mesmo brilho azulado das estrelas,
muito menos existirá sobre todas as figuras
a que mais se destaque entre elas:
Tu és mulher, formosa e tão minha,
que a ti pertenço de corpo e alma
seguro de um grande amor
atado por laço sem fim.



       à noite num bar

Bernardo Santos

 

Besteiras aos montes

estavam na boca do povo

beirando piadas de todas qualidades

entre risos e gritarias.

Nada era importante,

doidos em euforia

onde tudo quase nada.

Nenhum momento fugia à regra

aonde aventura

iniciava na cerveja

terminando na caipirinha

entre os vinhos.

Bêbados desmaiados pelo chão

a noite se finda.

Ressaca no amanhã.

Sete dias na semana

sete horas de bebida.



A Bica da saudade 

Bernardo Santos


Dona Maria I e Carlota Joaquina

beberam água do Cosme Velho

e matou a sede do carioca

na Bica da Rainha.

Filhos das flores de Laranjeiras,

frutos de um bairro do Rio de Janeiro.

Recanto bucólico de artistas

que escaparam pelo Túnel Santa Bárbara.

Lembranças de Lima Barreto,

Machado de Assis e Villa-Lobos,

da semente de Oscar Niemeyer

que brotou em concreto o Brasil

pelos campos que Princesa Isabel e Conde D’Eu

jamais sonharam.

O perfume de Laranjeiras

invade os sobrados neoclássicos

no Largo do Boticário,

com fragrância Edmundo Bittencourt,

cheiro de Antonio Prado

sem esquecer de Lúcio Costa.

Em Laranjeiras o Palácio Guanabara se ergueu,

o inesquecível ator Paulo Gracindo viveu

e tantos outros boêmios que encantaram.

Mas triste ficou o bairro apagado;

no dia em que três paradas cardíacas

calou a voz, parou a música

e Cássia Eller no Laranjeiras morreu!

"Quem sabe ainda sou uma garotinha...”



Amor platônico

Bernardo Santos

 

Afeto extremo.

É a esperança que nasce

em meio a folhagem

e germina entre a terra.

O sentimento persiste

no encontro das profundezas

em busca da pérola

e a concorrência prossegue

ao passo que a conquista

torna-se cada vez mais difícil.

Será que deveria mandar-lhe flores?

Sim! Uma dúzia de rosas amarelas...



Amor é amar

Bernardo Santos

 

Amor, o que dizer...

Linhas, palavras, o que?

Não existe o porquê

nem mesmo uma definição.

São momentos

como o vento

como o tempo

que passa e não volta.

Amor, o que falar...

Letras, frases, não sei.

Movimentos contínuos

beijos, abraços,

emoções que realizam.

Amor é amar,

Sonhar, cantar e sorrir.

É uma lição de vida

que nos ensina a vida

é o maior triunfo

que nos mostra

o caminho da felicidade.

 


Amarguras de um poeta

Bernardo Santos

                                   

Poeta!

Diz-me um verso

breve e ligeiro

que é para não tomar seu tempo.

 

Seja de amor

seja o que for,

mas que sirva

para esquecer uma angustia.

 

Isso não, poeta!

Se for falar de humanos

não tem muita vantagem;

prefiro ficar angustiado...

 

Publicada no Livro: Poeira de estrelas e sonhos, 2011.



A má temática do português

Bernardo Santos

 

 Eis que surgem as regras

+ ou - procura-se entender

e às vezes os sinais  atrapalham.

Pergunta-se? Ou exclama-se admirado!

* Destaca-se e esquece.

Tenta corrigir colocando (  ).

Escreve-se rápido

paalaavras herradas.

Será loucura??

A % da cultura vai odniderger

e a inteligência vai desvalorizando

assim como os valores

que vão ca

                  in

                     do.



Antes que venham as chamas

Bernardo Santos

 

Antes que caiam as trevas

luzes de matérias incendiadas

do atrito de corpos penosos

na cadeia cintilante do raio

aos rastros do queimadeiro

ainda existe o tempo;

tempo com duração limitada

que vem desde dos Afonsinhos

até nossa época;

época dos perdidos e condenados.

O poder dá-se ao mérito da glória,

o tempo se faz matéria-prima

no almoxarifado da vida

e esta enquanto vive

permanece a esperança;

a esperança de entrarmos em chamas

e melhores dias virão

depois de nossa morte.


Publicada no APN Clarenal – Ago/82 – SP

 

 
 

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