O relojoeiro do tempo

 

I

 

Shakespeare,

quando viu no relógio o tempo passar

e o dia findar-se em noite-breu,

viu também a beleza de alguém

que por entre as perdas do tempo se perdeu.

 

Vinicius,

quando viu no relógio o tempo passar

e o dia findar-se em noite-breu,

viu que a beleza era fundamental;

não se contentando, bebeu...

 

Eu,

quando vi no relógio o tempo passar

e o dia findar-se em noite-breu,

vi o relojoeiro do tempo

transformar à meia-noite o relógio em poesia!

 

II

 

 Shakespeare,

quando viu no relógio o tempo passar

e a noite horrenda escoar-se em dia,

viu que dos astros não retirava entendimento,

embora soubesse de astronomia.

 

 Quintana,

quando viu no relógio o tempo passar

e a noite horrenda escoar-se em dia,

viu o monótono tiquetaquear do tempo

sumir misteriosamente no ralo da pia...

 

Eu,

Quando vi no relógio o tempo passar

e a noite horrenda escoar-se em dia,

vi o relojoeiro do tempo

transformar ao meio-dia o relógio em poesia!

 
 
 

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