Música e teatro

   Bernardo Santos   

                  

      A música e o teatro, são aparentemente, de certa forma, duas coisas iguais, que lutam por um lugar no espaço.

     O teatro leva emoções ao público, desde tempos remotos, quando grandes dramas de problemas então vigentes eram levados ao povo, através das emoções expressas pelas pessoas, que a vida bem dotou da arte de representar.

     Os autores eram recriminados pela sociedade, que via nesta profissão a desvirtuação da moral tão autoritária e propagada na época. Mas, apesar de todos os inconvenientes criados, eram esses mesmos ditadores de normas e o resto do povo, que iam continuamente prestigiar os grandes feitos, a arte de se fazer teatro.

     Assim como os autores, também havia muita marginalização em relação aos cantores, mas a boêmia continuava a se propagar.

     Os tempos mudaram, mas a situação da arte de representar e cantar não evoluiu muito. As barreiras agora não são mais em relação à moral, e sim, ao próprio desinteresse com que se vê a situação.

     A música popular tende a decair cada vez mais na luta pelo direito de prevalecer suas raízes. Em sua própria terra, ela se abre como um coro fracassado às portas do sucesso para os astros de terras longínquas. Os cantores que conseguem ainda alguns privilégios, são aqueles que alienam passos extravagantes de dança com sua voz.

     Antes, quando um ator ouvia uma música popular, ele se imaginava num grande palco iluminado, representando o drama de nossa terra; agora, o máximo que se consegue é materializar um abismo cheio de asneira.

     A profissão de dramaturgo, hoje já conhecida, é portadora de um trabalho que exige muito esforço, pois uma lágrima verdadeira não se fabrica, e um sorriso contagiante não se consegue com nenhum produto químico.

     A música e o teatro podem ocupar o mesmo trono dentro do sistema da arte, pois ambas estão de mãos dadas; isto é, lutam com o mesmo interesse e sentido à procura de tornar-se livre para suas criações e realizações. Música e teatro, há uma ligação em tudo.

(Texto publicado na Folha de S. Paulo - Set/80-SP)

 
 

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